A POPULAÇÃO CHINESA
A questão demográfica na China é
complexa por fatores que vão muito além de tratar-se do país com a maior
população do planeta. Distribuição desigual, políticas de controle da
natalidade, mosaico étnico, nacionalismos separatistas e a questão do
gênero feminino são outros condimentos que temperam a complexidade do
país que realiza o maior censo demográfico da história em 2010, com a
participação de seis milhões de agentes recenseadores.
A
população chinesa é distribuída de forma bastante desigual pelo
território e tal distribuição é profundamente influenciada pela
geografia física do país. As regiões autônomas do Tibete, de Xinjiang e
da Mongólia Interior apresentam baixas densidades demográficas.
No
caso tibetano, por tratar-se de uma grande área cujas altitudes
raramente são menores do que 4 mil metros, pelo clima frio e pelos solos
rasos e pedregosos, há grande dificuldade para a fixação humana.

Xinjiang
e Mongólia Interior apresentam desertos em suas paisagens. O de
Taklamakan e o de Gobi, respectivamente. Ambos são marcados por forte
continentalidade, ou seja, grande distanciamento em relação ao oceano.
Já
as regiões da China Meridional das Colinas e a Manchúria apresentam
densidades demográficas muito elevadas por possuirem litoral, por serem
marcadas por regimes de chuva favoráveis à implantação tradicional da
agricultura, e, por fim, por abarcarem a imensa maioria das Zonas
Econômicas Especiais (ZEE’s) criadas no processo de modernização e
abertura do país ao capitalismo.
Sobre
a China Meridional das Colinas é importante frisar que a região
concentra a maior parcela da população chinesa, especialmente nos vales e
planícies aluvionais ao longo dos rios Yang-Tsé e Hoang-Ho, ou seja, as
principais zonas rurais do país, marcadas pela grande produção de arroz
feita através do milenar sistema de jardinagem, intensivo no uso de
mão-de-obra.
A população
chinesa é a maior do planeta, com mais de 1 bilhão e 300 milhões de
habitantes, acompanhada de perto apenas pela da Índia, com pouco mais de
1 bilhão de pessoas. O governo de Mao Tsé-tung estimulava a natalidade
como forma de aumentar a população do país e seu percentual em relação à
humanidade. Mas com uma população assim, tão grande, dificuldades
evidentes se apresentaram ao país como o desemprego e a fome.
Desde
1979, vigora a política do filho único na China, cujo objetivo é
reduzir o ritmo de crescimento acelerado da imensa população do país,
para minimizar tais problemas. Atualmente as taxas de crescimento
vegetativo do país estão abaixo de 0,7% ao ano. Um percentual que
aplicado a 1,3 bilhão de pessoas representa um crescimento numérico de
aproximadamente 9 milhões de pessoas por ano.
No
entanto, por conta de uma característica tradicional da sociedade, o
cuidado dos idosos é responsabilidade dos homens e suas respectivas
esposas. As mulheres casadas cuidam dos sogros e, via de regra, não têm
permissão para cuidar dos próprios pais. Os casais desejam, portanto,
ter filhos homens em detrimento das mulheres.
Cresce,
assim, o número de abortos quando se descobre que o bebê esperado é do
sexo feminino, atingindo aproximadamente meio milhão de interrupções de
gestações anualmente. Por isso, atualmente a China proíbe a
identificação do sexo dos bebês nos exames de ultra-sonografia.
Também
ocorre o abandono de meninas ao relento para a morte. Como
conseqüência, atualmente existem 117 homens para cada 100 mulheres. A
média mundial é de 106 ou 107 homens para cada 100 mulheres.
Além
da preocupação com a velhice, os chineses preferem filhos homens pois
eles garantem a perpetuação do sobrenome da família. Tal fato é
influenciado pela religiosidade da maioria dos chineses, que é ligada ao
culto dos antepassados. Manter o sobrenome vivo é uma forma de garantir
que será lembrado pelos seus descendentes no futuro.

Na
China, 92% da população pertencem à etnia Han. Esses são os chamados
“chineses étnicos”. Os demais 8% dividem-se em mais de 56 etnias
minoritárias reconhecidas pelo governo e que formam um grande mosaico
populacional. Os tibetanos e os Uigur são duas dessas etnias
minoritárias, habitantes das regiões autônomas do Tibete e de XinJiang,
respectivamente.
E são
nacionalistas. Cada grupo defende a separação de sua porção do restante
da China. Os tibetanos tiveram sua soberania reconhecida pelos ingleses
em 1904, porém tiveram sua capital ocupada pelos revolucionários
chineses em 1950. Organizaram um levante contra tal ocupação em 1959, o
que levou ao exílio do Dalai Lama, líder político e espiritual dos
tibetanos, que passou a viver na Índia.
Os
Uigur formam um povo com quase 9 milhões de pessoas na China. Têm
origem turcomena e são muçulmanos. Possuem vínculos culturais e
religiosos muito mais intensos com os povos da Ásia Central do que com
os Chineses. Por isso costumam realizar protestos com a intenção de
transformar a Região Autônoma de Xinjiang num país independente para o
seu povo.

É por essas razões que, a fim de dissolver a concentração majoritária dessas etnias em suas regiões, a China impõe migrações de chineses da etnia Han para essas regiões. O que acentua ainda mais as contradições criadas no país a partir do momento da abertura econômica, como as múltiplas oposições entre o campo arcaico e as cidades modernas.
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